Homify 360°—casa Portuguesa em betão

Rita Paião—Homify Rita Paião—Homify
Casa em Moreira, Phyd Arquitectura Phyd Arquitectura Minimalist houses
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Os artigos homify 360° caracterizam-se por mostrar tanto o esqueleto como os interiores de uma habitação. O objectivo é dar a conhecer tudo sobre este mesmo projecto, desde o jardim aos closets e arrumos. Neste projectos conseguimos mostrar como o  conceito é criado desde o inicio e essa mesma linguagem é usada numa totalidade projectual. Desta vez o artigo também é de um profissional português (e já escuso de frisar quanto orgulho me dá escrever sobre nós, se bem me conhece) e apresenta-se com o nome de Phyd Arquitectura.

O arquitecto Paulo Henrique Durão tem o seu atelier de arquitectura em Lisboa e conta com  a ajuda de vários colaboradores para a execução dos seus projectos. Tem vindo a desenvolver projectos em diferentes escalas e contextos, contribuindo no campo teórico com um conjunto de publicações onde o tema Tempo em Arquitectura é especialmente falado. Os seus projectos e obras de sucesso, têm vindo a ser divulgados em exposições de renome, ganho vários prémios e o próprio Paulo Durão ganhou o prémio de um dos 20 jovens arquitectos mais promissores de Portugal.

A Casa em Moreira é o projecto que iremos falar desta vez, observe e leia com atenção!

A casa que tem início e fim

É num terreno em Moreira, mais precisamente na Maia, no norte de Portugal que esta habitação se encontra.

A casa constrói-se em torno de três premissas principais: o espaço, o tempo e a sua materialidade. O espaço  refere-se à continuidade presente nas diferentes funções do habitar, o tempo refere ao movimento e à permanência no lugar e a materialidade tem a ver com o contraste conseguido entre a leveza da arquitectura e o betão como material usado maioritariamente—peso ≠ leveza.

As fotografias que se seguem são da autoria de Javier Callejas, fotógrafo profissional.

A idade dos porquês!

Passando na estrada principal e dando de caras com esta fachada de certo que se questionaria o porquê de uma forma tão rígida, o porquê de não ter janelas, o porquê de não parecer acabada..etc. Observando com atenção e se pudesse entrar no terreno logo perceberia e teria as respostas para todas as suas questões. A fachada pode parecer estranha e em nada se parece com uma fachada, dita normal de uma habitação de autor. Mas o atelier Phyd pensou out of the box e diga-se, que bem, muito bem!

Só quando se percorre ao longo do terreno e se penetra nos interiores se percebe que não há falta de luz natural, que os ambientes são leves e fluidos e que o material de revestimento das fachadas em nada influencia o bem estar interior, aliás, o contraste dos ambientes transparentes contrastam bem com o peso do betão.

É a tal antítese peso/leveza que falamos. Os pátios, esses, possibilitam a continuidade entre os diferentes espaços da casa e jogam incessantemente com o interior e o exterior.

A transparência dos espaços

Nesta fotografia conseguimos perceber a transparência entre os blocos de betão. E o contraste que referimos inicialmente entre a leveza da arquitectura e o peso do betão. Estamos no primeiro bloco e conseguimos ver o sofá vermelho que se encontra no segundo e ainda a mesa de refeições na cozinha que fica no terceiro. Ou seja, conseguimos ver através das grandes superfícies em vidro de uma ponta à outra.

A cozinha

A cozinha fica no bloco de uma das extremidades, mesmo perto do jardim na parte traseira da casa. A janela horizontal faz contacto directo com a zona relvada. O excelente contacto visual permite obter-se uma atmosfera calma e iluminada no interior. É engraçado e provocatório os móveis serem na cor verde, conseguindo assim prolongar a sensação de natureza no interior. Devido a uma das suas paredes principais ser completamente em vidro, a opção escolhida para a colocação de móveis de cozinha foi precisamente na parede oposta—grande bancada e zona de confecção de refeições. A mesa rectangular em madeira contrasta com o seu tom escuro sobre o chão de mármore branco e paredes brancas. 

As escadas de acesso

As escadas de acesso ao andar superior, onde se encontra a zona privada da habitação, é de formato simples e parece suspensa. No corredor comprido, de tom branco a escada em madeira parece que flutua no espaço.

Na parede direita à escada vêem-se uma espécie de moldura que se assemelham a telas ou quadros de pintura. As prateleiras na mesma parede e com a mesma madeira, parecem suster estes tais quadros e servem de apoio a objectos decorativos. Quase parecem portas invisíveis de acesso a zonas de arrumação. Isso acontece mesmo junto à parte superior da escada onde se conseguem ver portas sem puxador mas com um recorte circular nas mesmas.

Aqui o tempo não passa!

Este espaços articulam-se e tempo parece parar. O relógio vai alternando o lipo de luz, ora sólida ora difusa. Existem jogos verticais a jogarem com os horizontais, numa brincadeira que se gosta deste a 1a vez.

As proporções estão em cada esquina e a luz solar entra sem pedir. A atmosfera é de paz e o rodapé, a mesa de apoio e a poltrona fazem os destaques da casa nesta divisão. A cortina de tecido extremamente leve e fluido, feminina e delicada, contrasta com os blocos de cimento que se vêm a forrar o edificio. É uma confrontação, uma luta saudável constante.

Diferentes cotas

As diferentes alturas de tectos, de vãos de paredes são mais um elemento de contraste nesta habitação que é feita deles, desde o primeiro olhar quando se passa na rua principal.

O chão todo revestido em mármore dá-lhe um ar chique e é muito mais do que decoração. 

A casa de banho

Esta divisão é por norma uma das que os proprietários impõem mais regras e restrições durante toda a fase de projecto. Eles sonham com casas de banho de grandes dimensões, com o ultimo grito de mobiliário sanitário e com um ambiente relaxante e tranquilo. Os profissionais na área sabem como o fazer e bem. Prova disso é a fotografia que mostramos nos fazer sentir num outro ambiente. Os materiais e as cores escolhidas têm esses poderes. O mármore foi aplicado numa ampla extensão—chão e paredes—e o azulejos 15x15 num tom azul turquesa apenas numa só parede, a da parte do duche. O azul tem propriedades calmantes ou não fosse ele a cor do céu e do mar.

Veja mais fotos deste projecto, aqui.


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